Painel 2 - Fluxos migratórios até o século XVIII

Tópico 1 – Mineração e fluxos migratórios

A mineração no século XVIII irá atrair migrantes de todas as partes do país e do mundo, concentrando-se em São Paulo e Minas e, depois, expandindo-se para o centro-oeste. Assim, a população brasileira cresce inicialmente a partir de duas vertentes: escravidão de índios e negros e a vertente da imigração de gente de todas as partes do mundo.

Apresamento de escravos_BDWebB
Apresamento de escravos_BDWebB

A escravidão negra

Segundo estimativas, entre os séculos XV e XIX a África perdeu entre 65 a 75 milhões de pessoas raptadas pelo tráfico negreiro.

 

Nos séculos XVI, XVII e XVIII, segundo estimativas de Afonso Taunay, entraram no Brasil, respectivamente, 100.000, 600.000 e 1.300.000 escravos negros.

 

Este é o número dos escravos que chegaram vivos. 

 

Pepitas de ouro_BDWebB
Pepitas de ouro_BDWebB

A vinda de imigrantes europeus atraídos pela mineração

 

 

A mineração colonial portuguesa no Brasil surge no século XVII. Aparece vinculada à exploração do ouro de lavagem (ouro recolhido com bateias no rio) e as monções (bandeiras fluviais), sendo a maior parte das descobertas no interior, ao longo do curso dos rios, o que exige:

  1. transporte para chegar ao local de exploração e voltar ao litoral;

  2. caminhos e trilhas para circular internamente;

  3. infra-estrutura de alimentação para que a atividade mineira se mantenha, fornecida pelos tropeiros e pela pecuária que se expande ao longo do curso dos rios, para o interior.

 

Mineração hoje. Como é ser um técnico em mineração.

Tópico 2 - O Ciclo do Ouro e do Diamante

O principal ponto de partida expedições de bandeirantes foi a região de Taubaté, em São Paulo, devido à proximidade de Minas Gerais. Foram organizadas monções (bandeiras fluviais) que penetraram pelo rio Tietê, Paraná e Pardo na direção centro-oeste.

Esmeralda_BDWebB
Esmeralda_BDWebB

 Primeiro momento

  1. 1674 – Fernão Dias Paes em busca de esmeraldas, resultando em fracasso;

  2. 1693 – Antônio Rodrigues Arzão descobre ouro em Cataguazes, Minas Gerais;

  3. 1698 – Antônio Dias de Oliveira descobre veios auríferos em Ouro Preto, Minas Gerais;

  4. 1700 – Borba Gato descobre ouro em Sabará, Minas Gerais;

  5. 1702 – Bartolomeu Bueno, filho de Anhanguera, descobre ouro em Goiás;

  6. 1729 – Bernardo da Fonseca Lobo descobre diamantes na região do Arraial do Tijuco, atual Diamantina, Minas Gerais.

 

Minas Gerais_BDWebB
Minas Gerais_BDWebB

As primeiras manifestações nativistas

 

 

Estas descobertas modificaram rapidamente a face do Brasil. Fizeram vir para a região grandes contingentes populacionais, entre eles, portugueses.

 

A presença de portugueses na Região de Minas Gerais e as grandes levas de migrantes de outras regiões do país não agradaram aos paulistas, que exigiram que as terras mineiras fossem concedidas apenas aos habitantes de São Paulo.

 

Guera dos Emboabas_BDWebB
Guera dos Emboabas_BDWebB

Segundo Período - A Guerra dos Emboabas

 

Neste período acontecem diversos conflitos que irão resultar na Guerra dos Emboabas (forasteiros). Terminado os conflitos, muitos paulistas começaram a sair da região de Sorocaba em busca a novas áreas de mineração em direção a região Centro-oeste:

  1. 1719 – Pascoal Moreira descobre ouro em Cuiabá, Mato Grosso;

  2. 1722 – Bartolomeu Bueno da Silva descobre ouro em Goiás.

 

Tópico 3 - Crescimento populacional da colônia e seus efeitos

Observem o crescimento da população do brasil ao longo dos séculos XVI ao início do XIX: neste momento éramos considerados uma fronteira a conquistar, em relação à Europa, que passava por sérias crises políticas e sociais e onde a vida era muito difícil.

Debret_Família e escravos_BDWebB
Debret_Família e escravos_BDWebB

Crescimento da população ao longo do período

 

Ao mesmo tempo, a rapidez com que a colônia cresce é muito expressiva, como podemos ver nas seguintes estimativas:

  1. Século XVI – 100.000 habitantes;

  2. Século XVII – 300.00 habitantes;

  3. Século XVIII – 3.300.000 habitantes.

 

Os efeitos irão ser percebidos no quadro de atividades econômicas da colônia.

 

Casa de Minas_BDWebB
Casa de Minas_BDWebB

Quadro e atividades econômicas na colônia no século XVI a XVIII

 

  1. Século XVI – não houve expansão territorial. A colonização ficou restrita no litoral até o final do século XVI, em pontos específicos – São Vicente e planalto paulista, Rio de Janeiro, Vitória, Ilhéus, Salvador e Olinda.

  2. A expansão territorial - se inicia no século XVII com a intensificação do bandeirantismo na exploração de minas de ouro e no apresamento de índios.

  3. Século XVII - há a penetração da pecuária nordestina para o interior e, como consequência, há um deslocamento para o interior por determinação do Governo Português, para não causar danos aos engenhos açucareiros que estavam situados no litoral.

  4. Século XVIII - há o desenvolvimento da mineração, a chegada de grandes levas de imigrantes e aventureiros, tendo como centro Minas Gerais.

 

Cruz de Malta_Ornamento de Janela do Forte de Santa Cruz_RJ_BDKEdit
Cruz de Malta_Ornamento de Janela do Forte de Santa Cruz_RJ_BDKEdit

Tópico 4 – Meio ambiente e século XIX no Brasil

Se avaliarmos o crescimento populacional, a concentração das cidades no litoral e o tipo de economia – cana de açúcar e pecuária – que necessita de grandes áreas desmatadas, veremos que, no final do terceiro século de colonização, os efeitos de devastação do meio ambiente já eram notados. 

Índios_Gravura_Século XIX_BDWebB
Índios_Gravura_Século XIX_BDWebB

Analisando o estado do meio ambiente no século XIX, é certo podermos pontuar os seguintes problemas que se agravarão nos séculos seguintes:

 

  • Ocupação no litoral - A linha litorânea do Brasil estará comprometida seja pela ocupação seja pelo fim dos aldeamentos indígenas que, ou se miscigenarão com os brancos ou serão empurrados para o interior ou, ainda, desaparecerão por lutas ou doenças.

 

  • Apresamento de índios - Também o processo de bandeirantismo e apresamento de índios afetou o equilíbrio ecológico dos povos autóctones do Brasil.

 

Engenho movido à força humana_BDWebB
Engenho movido à força humana_BDWebB
  • Inicio acentuado de devastação na Mata Atlântica - A exploração de pau-brasil devastará boa parte da Mata Atlântica, até o século XVIII.

 

  • Crescimento das fazendas de gado - O gado ocupará a faixa interna litorânea, o nordeste e o sul, acompanhando os cursos d’água, nos currais.

 

Casa em Minas Gerais_BDWebB
Casa em Minas Gerais_BDWebB
  • Febre do ouro - As áreas de mineração – Minas e Centro-oeste - atrairão um volume de imigrantes sem par, pessoas despreparadas, oportunistas, aventureiros, cujo resultado será transitório, atendendo a “febre do ouro” do século XVIII, normalmente ouro de aluvião.

 

  • A população do Brasil - já na casa dos 3 milhões de pessoas no século XVIII, espalhados por um arquipélago de pequenas cidades, mantém um mercado interno ainda pequeno e está muito ligado ao mercado externo como fornecedor de matéria prima e importador de produtos prontos de Portugal.

 

Exercício-debate P2

Qual o principal interesse de Portugal no Brasil nos três primeiros séculos de nossa descoberta. Justifique sua resposta num texto de dez linhas e envie ao professor.

 

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